Pťtala de Rosa
"Amor s√£o duas solid√Ķes protegendo-se uma √† outra."
Rainer Maria Rilke
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Sobre estar sozinho

 
Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio.

As rela√ß√Ķes afetivas tamb√©m est√£o passando por profundas transforma√ß√Ķes e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje √© uma rela√ß√£o compat√≠vel com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e n√£o mais uma rela√ß√£o de depend√™ncia, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A id√©ia de uma pessoa ser o rem√©dio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, est√° fadada a desaparecer neste in√≠cio de s√©culo. O amor rom√Ęntico parte da premissa de que somos uma fra√ß√£o e precisamos e ncontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre at√© um processo de despersonaliza√ß√£o que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas caracter√≠sticas para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da liga√ß√£o entre os opostos tamb√©m vem dessa raiz: o outro tem de saber o que eu n√£o sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma id√©ia pr√°tica de sobreviv√™ncia e pouco rom√Ęntica, por sinal.

A palavra de ordem deste s√©culo √© parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas n√£o preciso, o que √© muito diferente. Com o avan√ßo tecnol√≥gico, que exige mais tempo individual, as pessoas est√£o perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas est√£o come√ßando a perceber que se sentem fra√ß√£o, mas s√£o inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, tamb√©m sente u ma fra√ß√£o. N√£o √© pr√≠ncipe ou salvador de coisa nenhuma. √? apenas um companheiro de viagem. O homem √© um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que n√£o tem nada a ver com ego√≠smo. O ego√≠sta n√£o tem energia pr√≥pria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, tem nova fei√ß√£o e significado. Visa a aproxima√ß√£o de dois inteiros, e n√£o a uni√£o de duas metades. E ela s√≥ √© poss√≠vel para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indiv√≠duo for competente para viver sozinho, mais preparado estar√° para uma boa rela√ß√£o afetiva. A solid√£o √© boa, ficar sozinho n√£o √© vergonhoso. Ao contr√°rio, d√° dignidade √† pessoa. As boas rela√ß√Ķes afetivas s√£o √≥timas, s√£o muito parecidas com o ficar sozinho, ningu√©m exige nada de ningu√©m e ambos crescem juntos.

Rela√ß√Ķes de domina√ß√£o e de concess√Ķes exageradas s√£o coisas do s√©culo passado. Cada c√©rebro √© √ļnico. Nosso modo de pensar e agir n√£o serve de refer√™ncia para avaliar ningu√©m. Muitas vezes pensamos que o outro √© nossa alma g√™mea e , na verdade, o que fizemos foi invent√°-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um di√°logo interno e descobrir sua for√ßa pessoal. Na solid√£o, indiv√≠duo entende que a harmonia e a paz de esp√≠rito s√≥ podem ser encontra das dentro dele mesmo, e n√£o a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos cr√≠tico e mais compreensivo quanto √†s diferen√ßas, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há aconchego o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo...
"A PIOR SOLID√?O √? AQUELA QUE SE SENTE QUANDO ACOMPANHADO"

Flávio Gilkovate (médico psicoterapeuta)

 
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