Pťtala de Rosa
"Falar de amor, e por dentro ter sentimento odioso, é como andar sob flores suaves, mas, escondido entre as pétalas ter espinhos agudos."
In√°cio Dantas
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Quem matou o Amor?

 
Houve uma vez, na hist√≥ria do mundo, um dia terr√≠vel, em que o √?dio - o rei dos maus sentimentos, dos defeitos e das m√°s virtudes - convocou uma reuni√£o com todos os seus s√ļditos.

Todos os sentimentos escuros do mundo e os desejos mais perversos do coração humano chegaram a essa reunião com muita curiosidade, porque queriam saber qual o motivo de tanta urgência.

Quando todos j√° estavam presentes, falou o √?dio:
- Os reuni aqui porque desejo com todas as minhas forças matar alguém!

Ningu√©m estranhou muito, pois era o √?dio quem estava falando e ele sempre queria matar algu√©m, mas perguntaram-se quem seria t√£o dif√≠cil de matar que o √?dio necessitaria da ajuda de todos.
- Quero matar o Amor - disse o √?dio.
Muitos sorriram com maldade, pois mais de um ali tinha a mesma vontade.
O primeiro volunt√°rio foi o Mau Car√°ter:
- Eu irei e podem ter certeza que em um ano o Amor terá morrido. Provocarei tal discórdia e raiva que ele não vai suportar.
Depois de um ano se reuniram outra vez e, ao escutar o relato de Mau Car√°ter, ficaram decepcionados:
- Eu sinto muito. Bem que tentei de tudo, mas cada vez que eu semeava discórdia, o Amor superava e seguia seu caminho.

Foi então que muito rapidamente ofereceu-se a Ambição para executar a tarefa. Fazendo alarde de seu poder, disse:
- Já que Mau Caráter fracassou, irei eu. Desviarei a atenção do Amor com o desejo por riqueza e pelo poder. Isso ele nunca irá ignorar.
E começou, então, a Ambição o ataque contra a sua vítima. Efetivamente, o Amor caiu ferido. Mas, depois de lutar arduamente, curou-se: renunciou a todo desejo exagerado de poder e triunfo.

Furioso com o novo fracasso, o √?dio enviou os Ci√ļmes. Estes buf√Ķes perversos inventaram todo tipo de artimanhas e situa√ß√Ķes para confundir o Amor. Machucaram-no com d√ļvidas e suspeitas infundadas.

Por√©m, mesmo confuso, o Amor chorou e pensou que n√£o queria morrer. Com valentia e for√ßa se imp√īs sobre eles e os venceu. Ano ap√≥s ano, o √?dio seguiu em sua luta, enviando a Frieza, o Ego√≠smo, a Indiferen√ßa, a Pobreza, a Enfermidade e muitos outros. Todos fracassavam sempre.

O √?dio, convencido de que o Amor era invenc√≠vel, disse isso aos demais:
- Nada podemos fazer. O Amor suportou tudo. Levamos muitos anos insistindo e
n√£o conseguimos.

De repente, de um cantinho do audit√≥rio, se levantou um sentimento pouco conhecido e que se vestia todo de preto. Com um chap√©u gigante, ele mantinha o rosto encoberto. Seu aspecto era f√ļnebre como o da morte.

- Eu matarei o Amor, disse com segurança.
Todos se perguntavam quem seria esse pretensioso que, sozinho, pretendia fazer o que nenhum deles havia conseguido.
O √?dio ordenou:
- Vá e faça!
Havia passado pouco tempo quando o √?dio voltou a convocar a todos para comunicar que finalmente o Amor havia morrido. Todos estavam felizes mas tamb√©m surpresos. E o sentimento do chap√©u preto falou:

- Aqui eu entrego a vocês o Amor, totalmente morto e esquartejado.
E sem dizer mais palavra, encaminhou-se para a saída.
- Espera! - determinou o √?dio, dizendo: em t√£o pouco tempo voc√™ o eliminou
completamente, deixando-o desesperado e, por isso mesmo, ele n√£o fez o menor
esforço para viver! Quem é você afinal?
O sentimento, pela primeira vez, levantou seu horrível rosto e disse:
- Sou a Rotina...

 
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